A "Vontade de Ilimitado Poder" da Tecnologia
uma análise a partir de Hans Jonas
Palavras-chave:
Tecnologia, Ambivalência, Vontade de ilimitado poder, Liberdade, ResponsabilidadeResumo
O objetivo do presente artigo é analisar o conceito jonasiano de “vontade de ilimitado poder” como a marca propulsora da tecnologia moderna e, ao mesmo tempo, demonstrar como tal diagnóstico fundamenta a necessidade de uma nova ética. Começaremos por evidenciar como tal diagnóstico articula-se com a perspectiva niilista própria da tecnologia, que oblitera a perspectiva ética ao reivindicar liberdade absoluta para o poder-fazer. Na medida em que a técnica moderna deixou de ser mero meio para tornar-se finalidade em si, movida pelo desejo de poder sem limites, ela se tornou um “Prometeu desacorrentado”, cujo avanço é impulsionado pela ciência, que fornece base teórica, e pela economia, que tudo mercantiliza. A seguir, demonstraremos como Jonas critica duas convicções centrais da ciência moderna: sua suposta neutralidade frente a valores e a reivindicação de um direito incondicional à liberdade de pesquisa. Para ele, ambas perdem validade diante da fusão entre teoria e prática, já que toda descoberta científica gera efeitos práticos de grande magnitude e exige a responsabilidade no seu uso. A liberdade científica, portanto, não pode mais ser absoluta, mas vinculada ao bem público. Terminaremos por indicar como Jonas sublinha a ambivalência estrutural da técnica, de forma que cada inovação implica benefícios e riscos, o que exige o estabelecimento de limites éticos e políticos. É aí, precisamente, que
residem os fundamentos de sua proposta de uma ética da responsabilidade, orientada pela previsão das consequências, pela “futurologia comparativa” e pela “heurística do temor”, capaz de despertar prudência e garantir a continuidade de uma vida humana autêntica sobre a Terra. Isso, longe de fazer de Jonas um tecnofóbico, torna-o um pensador da tecnologia preocupado com a sua urgente e indispensável orientação ética.
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